A Grande Abóbora
Já ouvi tanta história sobre a origem do dia das bruxas… E tanta lorota também…
Dia das Bruxas é uma tradição gringa, não é nossa. Mas como tudo o que é gringo é usado aqui, então aos poucos está se tornando nosso também. Quando morava em São Paulo, em um condomínio fechado com mais de 80 apartamentos, todo dia 31 de outubro eu era assombrado pelas crianças do prédio pedindo doces. Mas como isso não é tradição aqui no Brasil, eu nunca me preparei. Cheguei a dar balas de café da doceira dos meus pais pra essas crianças, ou mesmo Halls preto que eu tinha no bolso pra elas.
Mesmo assim, alguém aqui sabe de onde surgiu o dia das bruxas? Em inglês, chama-se Halloween, uma corruptela de All Hallows Eve, ou “Véspera do Dia de Todos os Santos”, comemorado dia 1º de Novembro (feriado na Bahia, inclusive). Acontece que, como todos os grandes feriados religiosos, essa celebração era uma celebração pagã!
O calendário pagão é repleto de datas comemorativas que seguem os ciclos da natureza. Nesta época do ano, final de outubro e início de novembro, no hemisfério norte acontece o interstício de outono, ou seja, é a época do ano onde a noite passa a ser mais longa do que o dia, preparando-se para o solstício de inverno, o dia com a noite mais longa do ano. No interstício de outono, comemora-se o início da morte do sol e um sinal de que as forças das trevas podem surgir. Para evitar isso, comemora-se no dia 1º de novembro o dia de todos os santos, como forma de proteção contra esses espíritos malignos que podem vir à terra. E no dia 2 de novembro comemora-se o dia dos mortos, ou finados, justamente para apaziguar a alma dos falecidos, para que eles possam seguir um bom caminho e não serem desviados pelos espíritos malignos. Esta celebração que hoje chamamos de Dia das Bruxas originalmente recebia o nome de Samhain.
Mas nada pode ser feito na noite do dia 31 de outubro. Na noite do interstício de outono, todos os espíritos podem rondar a terra e assustar as pessoas que não estão preparadas. E um desses espíritos inclusive é a Grande Abóbora, presente das histórias de Charlie Brown, uma grande abóbora (dãã) que visitaria as pessoas no dia das bruxas, quase como o Papai Noel visita as pessoas no natal.
E como toda festa gringa, essa celebração originariamente religiosa, tornou-se mais uma celebração do consumismo, pelo deleite dos doceiros e dentistas do mundo todo!
Então aproveitem esta festa, peçam seus doçes, “gostosuras ou travessuras”, ou façam como meu amigo Nagüeva, que disse que ia usar a frase: “Gostosura, que tal uma travessura?” hoje no bar.




















