20 Oct

Jogando Até o Fim

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Aproveitando o embalo do NerdExpress sobre games, e pedindo desculpas pelo atraso, aqui vai a resenha do quinto e último dia do CCED. Quem conseguiu acompanhar pelo twitter percebeu que o módulo foi fundo, lidando com muitas coisas que dificilmente a gente aprende sobre games, produção e mercado. Os gaúchos (que felizmente economizaram nos “bah” e outros gauchismos) professor doutor Cristiano Max e professor mestre Marsal Branco, ambos da FEEVALE (RS), coordenam os cursos de Comunicação Social e Games dessa faculdade.

Logo de cara eles começaram a explicar que o mercado deixou – já tem tempo – de encarar game como coisa pra criança, e pra isso passaram o fodástico trailer de Killzone, da Sony. Daí em diante, foi uma sucessão ininterrupta de informação curiosa/divertida/essencial. Desde pequenos detalhes da indústria dos games, como o primeiro “Herói” reproduzido fielmente no quadro negro (um quadrado!) e detalhes sobre PONG, até percepções sobre como a interatividade dos games tem mudado a relação do consumidor com determinadas mídias (quiosques, telas e mock-ups foram citados diretamente).

Disso passamos a falar de jogos especificamente, e como alguns deles mudaram paradigmas da criação de games e até de outras formas de comunicação. O mais falado destes foi o magnífico (adjetivo meu, puta jogo divertido) Katamari Damacy, que virou até propaganda de seguros! Dentro dessa mesma perspectiva, um videozinho bacana misturando Super Mario, GTA e Resident Evil foi o ponto alto. no caso, é uma animação do Adult Swim, colocando o Mario e o Luigi em Vice City, e mandando ver em tudo que a terra de ninguém oferece, e botando o Yoshi pra ser almocinho.

A já clássica pergunta que nunca pode faltar em qualquer papo sobre games foi respondida com categoria e sem titubear “Games são violentos?” - “Deveriam ser até mais!”. Ganharam ainda mais meu respeito nessa hora.

Um pouco depois, começa uma parte mais teórica, sobre a própria pesquisa dos dois, sobre “como se faz um game?” Explicações muito interessantes sobre o Ludema que eles propõem, como a unidade básica do jogo e o que diferencia um game de um filme, por exemplo. E também críticas e comentários sobre a divisão Ludológica/Narratológica da pesquisa em games no Brasil hoje. Esses ludemas são as unidades básicas do game, para os caras, e se caracterizam pelo momento em que a narrativa, através do input do jogador, muda daquilo que era previsível. Seja uma bela cena que faz com que tu pare o teu personagem para ver como em Shadow of the Colossus, seja cada botão que tu aperta jogando Guitar Hero.

Lost entra na jogada ao se explicar a narrativa dos games, com os pesquisadores dizendo que a linguagem básica – especialmente na primeira temporada do seriado – é extremamente similar à dos games. Cada episódio tem um foco num personagem, como se tu escolhesse com quem quer jogar, e cada grande evento (chegar na ilha, abrir a escotilha, etc) marca o início de uma nova fase ou quest dos personagens. Dentro do mesmo espírito, filmes como Alien vs Predador são adaptações da linguagem “Street Fighter” para cinema.

Considerações sobre o mercado evidenciam a importância dos games: aproximadamente 30 bilhões de dólares movimentados em 2007 pela indústria de games. E, naturalmente, sobre a pirataria e o rombo que isso gera. Do mercado de games para PC no Brasil apenas 11% é legal/oficial enquanto para consoles, mercadorias legítimas correspondem a mais ou menos 1% do total de vendas. Dureza viver disso por aqui, hein?

Depois disso, muita conversa sobre TV digital, distribuição online de conteúdo, iniciativas publicitárias e games dentro e fora do binário. Como não podia deixar de ser após uma semana cansativa de muito estudo, pro boteco!

Texto e fotos enviados por Luciano de Sampaio.

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