Aldous Huxley e a psicologia de amanhã - Parte II: Sobre as Castas

Seguindo meu estudo sobre comportamento humano baseado em Aldous Huxley, quando eu olho as pessoas andando nas ruas e reclamando de suas vidas, eu vejo claramente todas essas castas misturadas, mesmo que inconscientemente. De alguma forma perversa, a sociedade atual quer nos dar a impressão que somos todos iguais, que temos todos os mesmos sonhos e desejos de consumo e isso pode trazer uma ilusão falsa de igualdade. Mas o que acontece é que somos todos diferentes. Sim, somos diferentes. Pra começar, eu sou um nerd e sou diferente dos emos.
Mas o interessante é percebermos as diferenças já previstas por Huxley. Na nossa sociedade temos os alfas, que são empreendedores, criativos e não conseguem se contentar com trabalhos repetitivos ou com planilhas ou com escritórios. Existem também os betas, que desejam mais do que tudo um trabalho de escritório, secretaria, mecher e trabalhar com planilhas e coisas organizadas. Ainda há os gamas que lutam por um emprego como vendedor, como auxiliar de serviços gerais, no chão de fábrica, justamente para terem seus salários no final do mês e não se preocupar com mais nada, ou ainda aqueles funcionários que são felizes por seguirem ordens e não precisarem se preocupar com responsabilidades. Eu vejo os delta trabalhando como nossos zeladores, faxineiras, passadeiras, mecânicos, etc, que muitas vezes se satisfazem com seus trabalhos e sentem orgulho depois de um dia de trabalho honesto. E finalmente os épsilon que limpam nossas ruas, nossos esgotos e lixões, que não sei se fazem isso porque querem ou porque precisam.
Mas talvez justamente por essa ilusão de igualdade que nossa sociedade de consumo tenta passar, muita gente não consegue ou não quer aproveitar seu potencial. Muitos alfas se dispõem a trabalhar em chão de fábrica ou com planilhas num escritório. Muitos betas são colocados em posição de liderança e confundem as planilhas de organização que tanto gostam com pessoas que não funcionam através de fórmulas. Muitos gamas, por sua vez, pensam que são criativos, tentam escrever e criar coisas como os alfa, ou tentam mostrar organização e trabalho como os betas, mas no final acabam só sendo pedantes, repetitivos e chatos, pensando que seu trabalho é original quando na verdade é só uma cópia mal feita de tantas outras coisas que aparecem por aí.

Não sei como isso vai acabar. Muitos podem achar que sou preconceituoso por achar que as oportunidades não são pra todos. Mas o que quero trazer é justamente que todos temos os nossos próprios potenciais e não devemos nos perverter em nome de uma ideologia capitalista e consumista (porque no fundo, isso só serve para que as grandes corporações vendam mais a incautos manipuláveis enganados). Ao invés de todos tentarmos ser alfas para sermos criativos, muito melhor é admitirmos que somos betas ou gamas ou deltas ou até mesmo épsilons.
Os alfas aparecem mais, são mais prestigiados. Tudo bem. Mas os betas são necessários também, pois são eles que movimentam e mantém nossas agendas, nossas contas bancárias, o horário e o etinerário dos ônibus, as folhas de pagamento de todos, etc, etc. Os gamas são aqueles que conseguem fazer o trabalho braçal que os alfas e os betas não conseguem, por serem mais intelectuais. E eles conseguem também seguir ordens, uma capacidade que nem alfas nem betas conseguem. Existe uma certa preferência por trabalhos intelectuais, mas os trabalhos braçais são tão importantes quanto os intelectuais e justamente por isso os gamas devem também ser valorizados. E por que não falar dos deltas? São os nossos acensoristas, os zeladores, as faxineiras e toda aquelas pessoas que mais precisamos quando não conseguimos concertar a porta do armário, ou o encanamento da cozinha. Eles passam despercebidos, mas sem eles viveríamos em plena bagunça! Sem contar nos épsilon que ajudam a manter as cidades e as ruas limpas. A existência deles é uma questão de higiene.
Mas o que tudo isso tem a ver com o mundo nerd? Pois bem. Não sei se todos os nerds são alfas ou até mesmo betas. Mas neste nosso mundo, principalmente na internet, vamos encontrar pessoas de todas essas castas. No meu próximo post sobre o tema, vou discertar sobre os diferentes tipos de usuários de internet e como essa classificação de Huxley cabe a eles.
Enquanto isso, o que vocês acham dessas castas? Será que isso faz sentido? Deixem seus comentários e participem desta construção!





















É Aldous, meu.
November 7th, 2008 at 7:50 pm